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Lost Odyssey
25/02/2008 criado por Pedro Martins
Memórias milenares.
Lost Odyssey tem início como um pequeno doce para os nossos sentidos. Quase conseguimos “sentir ” o talento do "pai" da série Final Fantasy, Hironobu Sakaguchi, a colidir violentamente com a genialidade musical de Nobuo Uematsu. Uma junção que, em cinco minutos, tenta agarrar o jogador às mais de quarenta horas que estão para vir, espalhadas por quatro DVD's. Cinco minutos que, a cada hora de jogo passada fazem mais sentido, que crescem connosco, jogadores na pele de Kaim Argonar.

Argonar é a personagem principal da segunda obra produzida pela Mistwalker para a Xbox 360. Um imortal que já atravessou várias gerações, outras tantas guerras e, consequentemente, sofreu a perda de múltiplos entes queridos. Talvez para se poupar a tamanha dor, Kaim sofre de amnésia, algo que não o deixa saber de onde vem e para onde vai. Porém, os acontecimentos revelados na introdução despertam nele uma ténue memória, algo que o leva a iniciar uma cruzada pessoal para pôr cobro às forças que tentam domar o seu destino.

Com um intervalo temporal de mil anos, é nas várias camadas de história que se cruzam que reside o ponto forte de Lost Odyssey. Locais, pessoas, situações passadas, todos têm um eco no presente que requer uma abordagem distinta, reservando alguns pormenores para aqueles que seguirem a estória com atenção. Não foram poucas as vezes em que a narração do jogo levou as personagens a verdadeiras profundezas emocionais, não deixando ninguém indiferente. O argumento de Lost Odyssey exige dedicação e atenção, não sendo possível jogar e ler uma revista e ver televisão ao mesmo tempo. É um compromisso que com o tempo traz as suas recompensas.

À semelhança da obra cinematográfica de Christopher Nolan, Memento, existem pontos do cenário, sonhos, situações ou conversas que vão fazendo Kaim recordar-se de outros tempos. Algumas destas lembranças têm efeito directo na estória do jogo, enquanto que outras ficam disponíveis sob a forma de pequenos contos que podem ser lidos sempre que a personagem descansa, ou então, numa secção denominada "A Thousand Years of Dreams" que se encontra no menu principal do jogo.

No seu cerne, Lost Odyssey é um Role Playing Game tradicionalmente japonês, ou seja, esperam-vos inúmeros combates aleatórios por turnos. Apesar de ser um sistema de batalha sólido vindo de alguém com imensa experiência no assunto, não deixa de ser algo penoso olhar para um título da actual geração e dar de caras com um sistema de combate que parece ter sido resgatado da década de 90, com raras excepções.

A salvar o combate da insipidez da obra debutante da Mistwalker, Blue Dragon, uma característica faz toda a diferença. A ajudar Kaim na sua aventura existem outras personagens, algumas das quais também imortais. Em Lost Odyssey, os imortais não conseguem aprender habilidades directamente, o que obriga o jogador a criar uma ligação entre um imortal e um mortal, que assim partilham os seus feitiços, técnicas de combate, defesa, e tudo aquilo que dá "cor" aos combates neste género. Com o tempo, os imortais vão aprendendo as técnicas do humano a quem estão ligados.

Se no início estas ligações, parecem ser uma tarefa rotineira, quase como unir dois pontos, com o avançar da aventura vão exigindo cada vez mais estudo ao jogador, representando escolhas complexas, podendo mesmo tornar-se num ponto de ruptura para muitos. Os veteranos destas andanças continuarão a investir tempo na optimização das suas personagens, enquanto os mais imberbes poderão achar a tarefa tediosa.

A completar este manancial de tarefas que se repercutem dentro do campo de batalha, existe ainda o forjar de anéis. Encarado quase como uma profissão, permitará moldar as capacidades das nossas personagens dentro de campo, uma vez que existem anéis disponíveis para inúmeras situações de jogo distintas. Só para terem uma pequena noção do que os anéis abrangem, fiquem com o exemplo do "Jamming Ring" que aumenta o dano infligido em inimigos mecânicos, ou então do "Draining Ring" que permite absorver um pouco de energia ao inimigo durante o combate.

No campo de batalha, a onda revivalista da Mistwalker torna-se óbvia. Também aqui uma característica salva o combate da monotonia. Sempre que atacamos e temos um anel equipado, somos obrigados a fazer coincidir duas auras em movimento. Se formos bem sucedidos, o efeito do anel equipado recebe um bónus o que nos torna mais eficazes em combate. Se nos primeiros encontros é algo refrescante, evitando o estado vegetativo de quem está a jogar, volvidas 25 horas transforma-se num comportamento mecanizado, que pouco acrescenta à acção.

Com isto em mente, podemos dizer que todo o capítulo da jogabilidade é algo paradoxal. Temos uma mecânica por turnos da velha guarda, sustentada por dois arames que podem quebrar a qualquer momento caso o jogador lhes dê uso a mais. Aqueles que comprarem Lost Odyssey à procura da reinvenção do género vão ver as suas expectativas sumariamente goradas. Por outro lado, a falange de jogadores que adora o género, que ainda tem marcados na memória os nomes de RPG's antigos, terá algum gozo a lutar pelo destino de Kaim Argonar.

Sendo uma das obras que tira partido do Unreal Engine 3, o capítulo técnico é bastante sólido. Desde a já mencionada sequência inicial até aos inúmeros cenários visitados, há sempre algo de único para mostrar ao jogador. Se é óbvio que determinadas secções estão melhor conseguidas que outras, no cômputo geral Lost Odyssey não desilude, chegando mesmo a deslumbrar.

No campo das personagens, a Mistwalker parece ter oferecido as ferramentas necessárias para que Takehiko Inoue, um famoso ilustrador japonês, realizasse um trabalho interessante. Aqui, a qualidade atinge o seu pico em alguns dos bosses. A título de curiosidade, fica o nome de um dos inimigos que pode ser encontrado em Lost Odyssey: Blue Dragon.

Mais um Role Playing Game de Hironobu Sakaguchi, mais uma parceria com o compositor Nobuo Uematsu, mais uma banda sonora sublime. Tanto a música ambiente com a música que acompanha as batalhas estão bem conseguidas, mas é nas melodias que pontuam as situações mais marcantes da narrativa que todo o talento do compositor se revela. Momentos emotivos são-no ainda mais, despedidas e reencontros ganham mais força e ficam gravados na nossa memória.

A Mistwalker aprendeu bastante com a primeira obra de Sakaguchi na Xbox 360 e Lost Odyssey espelha isso mesmo. Não obstante uma mecânica de jogo que certamente irá dividir opiniões, a aventura de Kaim representa um dos melhores jogos do género na consola. Para terminar, há apenas que fazer referência a uma característica deste texto. Quem o leu na íntegra, certamente verificou que não houve uma única comparação com Final Fantasy. Existirão outros textos que certamente o farão, porém, deixem Lost Odyssey viver por ele, deixem-no respirar à conta daquilo que os seus criadores fizeram dele. Vão ver que apreciam muito melhor ambas as obras.
92

87

95

89

80
89
Muito Bom

 

Enredo
Banda sonora magnifica
A Thousand Years of Dreams é um livro dentro do jogo
Mecânica de jogo poderá cansar
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15 COMENTÁRIOS

REVO
05-02-2010 22:15:12
Espero poder jogar e ler o livro para mais tarde comentar aqui...Grande análise...Cumps!
Gonaldo
12-09-2008 23:41:15
E um jogo fantastico, posso garantir. E outra coisa: para os fans de literatura, deixem me dizer que o Thousand Years of Dreams é um livro sublime, muito, mas mesmo muito melhor que muitos dos que andam por si. na minha opinião o preço do jogo é extremamente baixo tendo em conta o que o pacote contém, um RPG fantastico e uma obra literária incluida que so por si devia vender consolas.
brainpowred
29-02-2008 16:18:57
A título informativo, aqueles que estão a pensar em comprar o jogo, o mesmo já deverá estar à venda em qualquer loja da especialidade.

Porém, como nem tudo podem ser boas notícias, a embalagem do jogo parece ser idêntica à americana, ou seja, três DVDs empilhados, mais um "preso" junto ao manual dentro de um envelope de papel.

jfbb
28-02-2008 14:18:15
A música de batalha do jogo é fantastica. Das melhores que ouvi em termos de rpgs japoneses.
Ao inicio não achei nada de especial, mas depois ouvi a versão completa e mudei de opinião. Grande música.

E a musica principal do jogo... simplesmente fantastica.
brainpowred
28-02-2008 2:02:34
Em primeiro lugar, obrigado a todos pelos elogios feitos à análise. Sabe sempre bem ver o nosso trabalho reconhecido. :)

Em relação aos tempos de carregamento, eu também ouvi muita coisa e li outra tanta, inclusivamente, que haviam tempos de carregamento que chegavam a atingir os 20 segundos antes de cada batalha.

Como eu faço as análises pelo que jogo e não pelo que leio, e como durante o tempo que passei com o jogo nunca senti nenhum tempo de carregamento anormal, não há a menção a isso no texto.

Continuação de bons jogos.

PS: Se tiverem oportunidade, ouçam a OST de Lost Odyssey. Mesmo que não tenham o jogo nem estejam a pensar em compra-lo ;)
scb
26-02-2008 17:25:15
Boas.De facto é esquisito que quase toda a gente diz que este jogo é muito melhor que o blue dragon e no entanto tem uma média inferior.No entanto penso que a maior parte dos sites está a ser demasiado duro com o jogo e o jfbb já apontou algumas situações que eu também já tinha reparado.

E por isso é que é bom poder ler a opinião de pessoal que já o jogou e que diz que este é um dos melhores jrpgs dos últimos tempos.Penso que esta review está de acordo com o que eu tenho visto a maior parte do pessoal dizer.

Por isso já encomendei a minha cópia na play-asia,versão asiatica e com linguagem em ingles e funciona nas consolas PAL.fica apenas por 37 euros com portes por isso é impossível desperdiçar a oportunidade.já tou com saudades de um bom jrpg e este parece-me excelente para enquanto não chegarem o white knight story e o ff13.

fiquem bem ;)
Sereno
26-02-2008 15:03:39
lol...
jfbb
26-02-2008 14:34:07
"Diz-se por ai que os loadings sao insuportaveis..."

Os loadings da versão que está nas lojas estão muito menores do que os loadings da versão que os sites receberam.
Muita gente que comprou o jogo, anadava a dizer que os loadings não eram assim tão maus. A gamespot, analisou o jogo que recebeu e pos os loadings nos pontos negativos, mas depiois de ter ouvido as queixas dos utilizadores, adquiriu a versão que estava nas lojas, e tirou os loadings dos pontos negativos do jogo.
O problema é que foi o unico site a fazer isso, porque se outros fizessem, as notas tinha subido um bocado.

" No entanto ao ver que a média de nota deste jogo não chega sequer a 80 fez-me voltar atrás."

O jogo ta com media de 78/100, o que quer dizer que é um bom jogo (sim, um bom jogo é a partir dos 75 e não dos 80).
E aquela nota do gamespy, é como não la tivesse. O gajo que fez a analise foi completamente criticado pelo blog "thirdworldgamer" e pelos membros que tinham a versão japonesa do neogaf. Levou com cada acusação, que mais tarde o gajo ja nem dizia nada.
A mentalidade "rpg tradicional por turnos nesta geração está fora de questão" é o que se ve em muitos sites. E não venham dizer que é mentira, porque não é. É a mais pura das verdades.

Ainda bem que existe as opiniões das pessoas que tem o jogo, e a maior parte diz que o jogo é exclente, que não jogava um rpg japones como o lost odyssey há muito tempo.

E um frase importantissima escrita nesta analise pelo Pedro Martins que muitos sites não fizeram:

"Quem o leu na íntegra, certamente verificou que não houve uma única comparação com Final Fantasy. Existirão outros textos que certamente o farão, porém, deixem Lost Odyssey viver por ele, deixem-no respirar à conta daquilo que os seus criadores fizeram dele. Vão ver que apreciam muito melhor ambas as obras."
HAVE HEART
26-02-2008 12:52:11
QUERO
CGenerated
26-02-2008 11:57:16
Ja tas a ficar como o Birras, Macaco... lol
Sereno
26-02-2008 10:34:51
Diz-se por ai que os loadings sao insuportaveis...
Big Boss
26-02-2008 2:48:59
"mas este jogo é sem dúvida um dos que fazem pesar a balança para os lados da branquinha"

Eu também pensava isso. No entanto ao ver que a média de nota deste jogo não chega sequer a 80 fez-me voltar atrás. Não digo que seja um mau jogo, porque não o é, mas também não me faz comprar uma Xbox 360 só por si.

Quando adquirir a Xbox 360 este LO provavelmente já estará a baixo preço. Comprá-lo-ei sem reservas nessa altura :)

Cumps
Euanimal
26-02-2008 1:17:09
Eu ainda não decidi que consola next gen comprar,só vou comprar a minha no verão junto com um lcdhd...(á espera do subsídio,lol)

uns dias acordo inclinado para uma,outros para outra...

mas este jogo é sem dúvida um dos que fazem pesar a balança para os lados da branquinha
jfbb
25-02-2008 21:57:25
Exclente análise.
Eu ja reservei o jogo à algum tempo. So resta esperar.
master_link
25-02-2008 20:55:00
Mais um para juntar à lista dos "jogos a adquirir" quando( e se) comprar uma xbox 360.

;)
DADOS
Editora: Microsoft
Criadora: Mistwalker
Distribuidora: Microsoft Portugal
Género:Role Playing Games
Data de Lançamento: 29/02/2008
Número de Jogadores: 1
Outras versões:
NOTAS

89
Muito Bom

94
Excelente
100



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