Sinceramente, já estávamos a perder a esperança na Konami e no trabalho que dispendeu na entrega deste ano de Pro Evolution Soccer. Depois de nos ter passado pelas mãos nas versões para PlayStation 2, Nintendo DS e PlayStation Portable, só faltava mesmo a versão dedicada à Nintendo Wii. Praticamente cinco meses depois de ter chegado à PS2 é seguro afirmar que a produtora nipónica deixou o melhor para o fim, fiquem para saber o porquê.
PES 2008 estreia-se na Wii com um treino extenso, daqueles que os fãs da série dispensam bem só de pensar nele. Porém, convém mesmo que o façam com a maior das atenções e, sobretudo, com empenho, pois estarão a dar o primeiro passo para dominar o melhor que este PES tem para oferecer: a jogabilidade. Esqueçam todas as partidas que já jogaram até à data, aqui o controlo do jogador faz-se apontando o Wiimote para a televisão e utilizando o Nunchuk para marcar golos. Confusos? Nós explicamos. Com o ponteiro indicamos para onde o jogador se deve deslocar no terreno de jogo, ou seja, desenhamos uma linha invisível que vai servir de trajectória ao nosso jogador. A fluidez das jogadas continua com os passes efectuados com a tecla B. Apontamos para o jogador que fará de receptor e, ao efectuar o passe, é o próprio jogo que determina a velocidade e altura do mesmo, sendo depois necessário agitar vigorosamente o Nunchuk para rematar à baliza.
Na defesa, o método é idêntico, ou seja, para interceptar as jogadas do adversário apontamos o Wiimote para o jogador que tem a bola, e com o A tentamos cortar o esférico. Para aliviar a pressão da nossa área, nada mais fácil do que dar uso ao botão B. Se na teoria esta nova mecânica pode parecer algo perra e pouco intuitiva, na prática cedo constatamos que a fluidez de cada partida imerge quem a disputa. Como já mencionamos, inicialmente, sentimo-nos um bocado perdidos em campo, a mexer no analógico do Nunchuk para fazer deslocar os jogadores, a agitar o Wiimote para fazer carrinhos, contudo, nada que alguns amigáveis não resolvam. A maior dificuldade que sentimos, mesmo depois de algumas horas, é conseguir conciliar as linhas desenhadas com o Wiimote, ver com antecipação para onde queremos passar a bola e estar com atenção às movimentações do adversário, quase como se estivéssemos a fazer malabarismo pela primeira vez.
A Konami está a pedir muito aos seguidores da saga, ao exigir que aprendam a jogar PES de novo. Para mostrar empenho nessa proposta, dotou os jogadores presentes na Wii com uma inteligência artificial mais afiada do que nas outras versões, aliás, obrigatoriamente teria que ser assim, já que caso os nossos companheiros se comportassem de maneira idêntica às outras versões, toda a mecânica ruiria sobre si mesma.
Para além dos amigáveis contra outro amigo, podem ainda participar em 6 Ligas nacionais, nenhuma delas a portuguesa, assim como outras tantas taças. E aqui, à semelhança do que já tínhamos visto na versão do jogo para a DS, a Master League não está presente, sendo que a Konami colocou um modo de jogo apelidado de Rota dos Campeões em seu lugar. Cabe depois ao jogador escolher a equipa que pretende representar, seja do lote original ou uma equipa modificada no editor, assim como um estádio, de entre os mais de 30 presentes. Assim sendo, o diorama deste modo assemelha-se a uma viagem por várias ligas.
Por entre vitórias e jogadores comprados, podem ainda participar em vários desafios que obrigam o jogador a atingir um objectivo em especifico, seja atingir um determinado número de passes num jogo, ganhar por uma determinada margem ou marcar um número predefinido de golos. Mesmo sem trazer nada de novo, sempre ajuda a manter a competitividade. De qualquer forma, é impossível não sentir uma certa superficialidade nos modos disponíveis. Falta à versão Wii a profundidade oferecida pela Master League, algo que esperamos ver adicionado numa próxima edição.
Ligando a Wii à Internet podemos jogar contra outro jogador. É pena que a o serviço online da consola não suporte mais do que 2 jogadores em simultâneo, porém, depois de encontrarem alguém para sovar, os jogos decorrem livres de qualquer latência, fazendo desta versão aquela que melhor se comporta em rede. Felizmente, parece que as anedotas que se contavam acerca do serviço online da Nintendo começam a perder o fundamento. Para fechar o capítulo do multijogador, convém mencionar que para jogarem directamente com um amigo terão que lhe pedir o Friend Code.
Apesar do poderio técnico nunca ter sido o ponto forte da Wii, os gráficos de Pro Evolution Soccer 2008 são uma mescla entre o aceitável, o divertido e o péssimo. Para perceberem melhor onde queremos chegar, com aceitável referimo-nos ao que vimos dentro de campo, o divertido às caricaturas dos jogadores e o péssimo diz respeito a tudo o que transcende as quatro linhas, ou seja, bancadas e público, que aqui está com um aspecto pior do que aquilo que foi visto na PlayStation 2. De saudar é a tradução do jogo para português, ainda que com algumas falhas. Indubitavelmente, é uma característica que vai ajudar os mais novos a tirarem mais partido do jogo.
No que ao som diz respeito, a acrescentar à tradicional musica repetitiva que há muito caracteriza a série, temos os comentários totalmente em inglês. Felizmente, a dupla de comentadores não anda muito longe de narrar aquilo que acontece dentro do campo, o que adicionado às vozes que se insurgem das bancadas a puxar pela nossa equipa, acaba por dar um maior alento a quem está de Wiimote em riste.
A Konami correu um risco enorme com esta versão de PES. Se a ambição lhe tivesse saído gorada este seria um ano de entregas aquém das expectativas. Felizmente, a mecânica funciona, o jogo é fluido e sai verdadeiramente beneficiado. Assim, a mão que denunciou os erros e a falta de ambição da produtora nas outras versões é a mesma que a congratula por esta inovação. Não é o jogo perfeito, longe disso, mas está no bom caminho.