Com mais de 20 anos, a série
R-Type é largamente conhecida entre a comunidade de jogadores. Este scrolling shooter tem resistido ao teste do tempo, combatendo a erosão da idade com o frenético ritmo que sempre fez parte da sua personalidade. Contudo, a Irem, produtora desde o primeiro dia, resolveu oferecer uma proposta diferente aos fãs de R-Type. De seu nome
R-Type Tactics, este novo jogo
pega em todo o compêndio histórico da série e dá-lhe outros fins, transformando toda a acção numa experiência estratégica por turnos.
De novo temos o planeta Terra em luta contra os invasores, Bydo. A campanha a solo leva-nos ao comando destas duas facções, por entre um leque de missões. Tal como qualquer outro jogo de estratégia por turnos, em R-Type Tactics movimentamos as nossas unidades na grelha de jogo, tendo em atenção o seu estado, nomeadamente, os escudos, armamento e combustível. Cada nave com o seu alcance e habilidades próprias, num verdadeiro exercício de regra e esquadro,
não fugindo nem um milímetro às bases do género.
Onde R-Type Tactics se distingue - e para se distinguir precisa de estar perante os seus fãs - é nos modelos de naves e armas à disposição. Facilmente se fazem
paralelos com os diversos power-ups do jogo original, como as Force e o Wave Cannon, presentes também em Tactics, mas como naves ou habilidades especiais das mesmas. Existem mais de 100 unidades, pelo que nunca faltam opções para configurar a nossa frota. À medida que progredimos no jogo temos acesso a mais e melhores opções, assim como a mais pilotos para comandarem a armada. No entanto, para poderem pôr em prática alguma da tecnologia descoberta será necessário recolher Solonium, um recurso que se encontra nos cenários em instalações espaciais ou destroços, dando outra importância à exploração.
As missões tentam
imitar um pouco do que estamos habituados em R-Type. Muitas escaramuças com naves inimigas, os ocasionais
bosses e ainda algumas envolvendo captura de objectos ou instalações espaciais. Tal como seria de esperar, também aqui a curva de dificuldade é acentuada, fazendo jus à tradição série e obrigando-nos a aproveitar todas as interacções entre armas, habilidades e o próprio cenário para ultrapassarmos a missão em mãos. Por outro lado, não há aquele sentimento de progressão e a certa altura parece que estamos simplesmente a repetir as mesmas tarefas.
Em suma, se não forem fãs da série e aliarem a esse facto um gostinho pelos jogos de estratégia, R-Type Tactics poderá demorar ou até nunca cair no vosso goto. O
ritmo é diametralmente oposto ao tradicional R-Type e mesmo para um jogo de estratégia por turnos é algo lento, quando comparado, por exemplo, com Advance Wars. Então se optarem por jogar com as animações ligadas torna-se um verdadeiro tormento devido à lentidão da PSP em carregar as mesmas.
Uma pena, pois é nas animações que se encontra o ponto mais forte do visual de R-Type Tactics. A grelha de jogo está assente em cenários familiares aos jogadores do tradicional R-Type, com
alguns pormenores interessantes. Assim como as "fichas" que representam as naves e que depois desabrocham em modelos tridimensionais durante as animações, repletos de detalhe e com toda a espectacularidade dos ataques. Também alguns
bosses bem conhecidos dão a cara em Tactics, em prol de missões mais dramáticas. A componente sonora vai beber à fonte, apesar de, neste caso, usar um ritmo mais compassado, adaptando-se à mecânica de turnos do jogo. No entanto, tende a deixar-nos com a audição exausta de tanto ouvir as mesmas notas.
Tanto a solo como a dois em modo Ad-Hoc, R-Type Tactics não esconde aquilo que é: um
spin-off de uma série extremamente bem conhecida, dedicado só e apenas à legião de fãs. Se procuram uma referência nos jogos de estratégia por turnos na PSP certamente ficarão bem mais servidos com Final Fantasy Tactics ou Disgaea. Contudo, se o "bichinho" R-Type está bem dentro de vós e não torcem o nariz a jogos de estratégia, podem encontrar em Tactics um excelente passatempo para as tardes chuvosas que se aproximam.