Depois de ter conquistado as massas com os três primeiros títulos a chegarem às consolas domésticas (quatro, se contarmos com Guitar Hero Encore: Rocks the 80s), a série Guitar Hero começa agora a etapa de individualizar conteúdo, ou seja, lançar para o mercado edições específicas para bandas da escolha da sua produtora, a Neversoft. A primeira leva de músicas é dedicada à banda liderada pelo icástico Steve Tyler, os Aerosmith.
Já de Gibson Les Paul a tiracolo, a mecânica de jogo permanece idêntica às primeiras entregas de Guitar Hero. Círculos multi-coloridos que correspondem cromaticamente aos botões da guitarra vão varrendo o ecrã, incumbindo ao jogador a tarefa de premir o botão certo na altura certa, sem nunca esquecer de passar a mão pelo botão que imita o toque nas cordas, controlando o ritmo. Certamente, uma mecânica já experimentada pelo menos uma vez e à qual se adicionam os multiplicadores e o Rock Meter, tendo em vista uma boa pontuação final, pontos para as tabelas online e, sobretudo, mais dinheiro para ser gasto em trajes, guitarras, novas personagens, enfim, os desbloqueáveis habituais da saga Guitar Hero.
Como é do conhecimento público, Joe Perry assume o protagonismo de ser o guitarrista principal dos Aerosmith, mesmo que isso nunca tenha feito dele um virtuoso das cordas. A troca de uma maior complexidade a favor de um som constantemente melódico reflecte-se na dificuldade de Guitar Hero: Aerosmith. Mesmo não sendo demasiado fácil, faltam-lhe hinos à dificuldade, peças musicais que, graças à agilidade dedal dos seus intérpretes originais, só estão ao alcance de quem coloca muitas horas na sua entrega ao jogo. Provavelmente, na próxima entrega de Guitar Hero dedicada a uma banda, Guitar Hero: Metallica, graças ao talento de Kirk Hammett, esta lacuna seja sanada.
Ainda assim, quem idolatrar a banda de Steve Tyler passará um bom bocado no modo principal do jogo. No total, Guitar Hero: Aerosmith apresenta um total de 41 músicas, sendo 19 dos Aerosmith, 12 de bandas que de alguma maneira influenciaram a banda principal do jogo, enquanto as restantes 10 agem como faixas de bónus e são desbloqueáveis posteriormente. Cronologicamente, a banda sonora deste jogo começa a ser construída em 1964 com All Day and All of the Night dos The Kinks e arrasta-se até ao ano de 1992 com Sex Type Thing dos Stone Temple Pilots. Pelo caminho vão ter direito a tocar êxitos como: Livin' on the Edge, Sweet Emotion, Uncle Salty e ainda o clássico Walk This Way gravado pelos Aerosmith em parceria com os Run-D.M.C. Mesmo olhando para a lista completa das músicas, não podemos deixar de criticar a exigência do preço completo (69,99 euros sem guitarra / 99,99 euros com guitarra) por um videojogo que devia ser encarado com uma expansão.
Quando se cansarem de incorporarem Joe Perry sozinhos, podem dar uma oportunidade às variantes multijogador que o jogo traz consigo. Localmente, podem jogar cooperativamente com um amigo vosso, tenha ele uma segunda guitarra ou um controlador. Tal como acontecia até aqui, um jogador encarrega-se da guitarra principal, enquanto que o outro dá conta da guitarra secundária ou do baixo, dependendo da música escolhida. Caso pretendam algo mais competitivo, podem, localmente ou dando uso à PlayStation Network, desafiar um concorrente através dos modos Face Off ou Battle. Como podem constatar por vocês próprios, não há uma única novidade no que à vertente multijogador diz respeito.
Apesar da banda toda ter servido de molde às respectivas caricaturas digitais, nota-se que o trabalho recaiu mais sobre as duas figuras de proa do quinteto: Steve Tyler e Joe Perry. Amparados por vários cenários que vão sendo palcos que a banda foi pisando na sua ascensão mediática, notam-se algumas melhorias face às obras anteriores, principalmente no que toca aos pormenores. Mais uma vez, destinado a quem adora sorver informação dos Aerosmith, entre os seis locais que marcam esta viagem com a banda, temos um pequeno vídeo com um membro da banda a explicar-nos o que aquele concerto significou para ele em particular e para a banda em geral. Um toque que certamente deixará muitos fãs mais informados.
Falar do campo sonoro é um pouco redundante numa análise a um jogo deste género, uma vez que é a própria banda sonora que alimenta a fogueira de Guitar Hero. A juntar a toda a informação escrita sobre o áudio, resta apenas, numa aresta mais técnica, referir que apenas quatro das 41 músicas não estão remasterizadas digitalmente, ou seja, se tiverem um bom sistema de som, não terão grandes dificuldades em obter uma boa cristalinidade sonora, mesmo nas músicas mais antigas.
No seu âmago, Guitar Hero: Aerosmith é um jogo dedicado apenas aos fãs da banda. Pessoas que vivem todos os passos que a banda dá, têm os discos, têm posters e devoram informação sobre Tyler, Perry, Hamilton, Whitford e Kramer. Os restantes, mesmo que adorem a série, não vão deixar de sentir que estão a tocar poucas músicas por muito dinheiro. Aerosmith começa pela primeira letra do alfabeto e espero que a Activision não se esteja a preparar para levar esta sua aventura até ao Z.

Um bom produto para os fãs da banda

Algumas músicas são ícones melódicos

Animação das personagens Tyler e Perry

Poucas músicas pelo preço pedido

Jogadores veteranos não chegam a encontrar desafio