Pouca gente deve ser estranha às adaptações dos jogos olímpicos ao mundo virtual. Este tipo de jogos não procuram apelar apenas a wanna-be atletas de alta competição mas a um público mais vasto. Conseguem-no pela competitividade estimulada pelas modalidades e ilusão de que nós, meros mortais, nos tornamos em super-homens capazes de quebrar recordes olímpicos e mundiais.
Vancouver 2010 não é diferente.
Há três modos de jogo em
Vancouver 2010:
Training,
Olympic Games e
Challenges. O primeiro exibe a lista de modalidades existentes, catorze ao todo, e deixa-nos praticar cada uma e conhecer as suas particularidades. O modo
Olympic Games oferece-nos a mesma lista mas deixa-nos criar uma sucessão de modalidades ao nosso gosto.
Challenges é onde nos deparamos com uma variação mais
arcade das modalidades.
Nos modos
Training ou
Olympic Games podem-se juntar até quatro jogadores em
split-screen. No entanto, poucas modalidades têm os jogadores a competir em simultâneo, sendo que na grande maioria os jogadores têm que esperar pela sua vez como na vida real.
Olympic Games por sua vez oferece a possibilidade de jogar em LAN ou online com os resultados e records a entrarem nas
leaderboards.
Em
Challenges existem três pirâmides com quatro andares, quatro desafios na base, três no segundo andar, dois no terceiro e um no final. Os jogadores não são obrigados a completar todos os desafios para seguirem em frente mas se o fizerem têm mais escolhas no próximo andar. No entanto, em
Challenges cada prova acarreta certos objectivos ou condições como atingir certa velocidade ou jogar com os controlos invertidos. Uma vez que algumas modalidades por si só já são desafiantes, neste modo a dificuldade aumenta oferecendo um maior desafio aos jogadores e diversidade na jogabilidade.
A apresentação de
Vancouver 2010 não é genial mas também não estraga o jogo. Graficamente o jogo não está mau mas não apresenta quaisquer pormenores de maior.
A neve não salta quando derrapamos com os skis ou prancha de snowboard e as animações das quedas não divergem segundo o contexto mas apenas segundo o equipamento utilizado (trenó, ski ou prancha). Mesmo assim, pormenores como o reflexo do sol no capacete e na neve e o efeito de desfocagem quando atingimos velocidades mais elevadas conseguem desviar a nossa atenção dos pontos negativos.
Ao nível do som
Vancouver 2010 deparamo-nos com a mesma situação, ou seja, o jogo consegue oferecer o que é esperado mas não supera essas espectativas. No campo sonoro a sensação de velocidade é-nos dada através do som dos skis a cortar a neve mas nunca ouvimos qualquer ruído que se assemelhe ao vento. Uma banda sonora composta por músicas de rock corre em background e pode ser desactivada ou regulada. No entanto, a música ajuda a preencher o vazio deixado pela ausência de vento que se torna monótono uma vez que apenas ouvimos o barulho dos skis na neve.
Em termos de jogabilidade
Vancouver 2010 apresenta um esquema de controlos simples e afinado, sendo precisas uma ou duas tentativas para nos habituarmos a cada modalidade. Na versão da
PS3 existe também a opção de usar o six axis como
motion controller o que aumenta a dificuldade mas oferece um maior desafio e mais diversão especialmente se estivermos a jogar com mais gente ao lado. A sensibilidade pode ser regulada no menu de opções.
A maior falha de
Vancouver 2010 jaz no facto de ter apenas modalidades baseadas em velocidade deixando de fora desportos como o
curling, patinagem artística,
cross-country skiing entre outros. Uma vez que a maioria das provas são de ski a jogabilidade destes torna-se um pouco repetitiva.
Vancouver 2010 é um jogo que pode ser jogado por qualquer pessoa e qualquer pessoa encontrará bons momentos de diversão neste jogo, particularmente se tiver com quem jogar. Como a maioria dos jogos sobre modalidades olímpicas, é viciante e oferece uma opção divertida e desconraída aos inúmeros
FPS e jogos de acção que pode ser jogado e desfrutado por toda a família. Peca por não oferecer modalidades interessantes e diferentes que fazem parte dos jogos olímpicos de Inverno mas a sua ausência não é tão incompreensível ao ponto de tornar o jogo incompleto. Na versão da
PS3 o jogo faz uso da sensibilidade de movimento do six axis o que dá profundidade à jogabilidade e mais diversão a um jogo já divertido.