A série
Total War traz-nos mais um capítulo da sua história, desta vez inteiramente dedicado a
Napoleão Bonaparte, o famoso general francês que rapidamente ascendeu a imperador do país, no início do século XIX.
Napoleon: Total War surge sob a forma a que a série sempre nos habituou: um misto de estratégia em tempo real e estratégia por turnos (de duas semanas, ao contrário dos seis meses dos outros títulos). Se na primeira entramos em combate directo com os nossos oponentes, a segunda apresenta-nos toda uma panóplia de acções que poderemos tomar antes de atacarmos o inimigo. Tal como nos jogos
Total War anteriores, é nesta visão do mapa-mundo que poderemos treinar mais unidades para o nosso exército, desenvolver as nossas cidades, gerir as relações com as outras nações, e tomar todas as outras decisões estratégicas que quisermos.
O jogo assenta nas mesmas bases dos títulos anteriores, mas alguns aspectos foram melhorados. Quando foi anunciado, há uns meses atrás, a sua criadora,
Creative Assembly, fez questão de avançar algumas "novidades técnicas". Em
Napoleon: Total War, todas as 322 unidades que existem foram especialmente desenhadas para o jogo, estando fardadas e equipadas a rigor, por exemplo. Para além disso, os modelos dos soldados não vão ser
copy-paste do seu colega do lado - agora, existem 64 caras diferentes e o próprio corpo de cada um deles irá variar.
As melhorias já eram conhecidas, mas como é que se portam no jogo em si? Pelo que vi, relativamente bem. Uma das coisas pela qual os jogos
Total War têm vindo a ser reconhecidos é pela inclusão de pormenores realistas, que afectam o desempenho do jogador. Se preferem uma acção mais
straight forward, ao género de um
Age of Empires, talvez os jogos de estratégia da
Creative Assembly não sejam os mais indicados para vocês, e
Napoleon: Total War não é excepção.
Aqui, os exércitos cansam-se, demoram tempo a posicionar-se no campo de batalha, e recarregar os mosquetes não é propriamente uma tarefa que se faça com um pé atrás das costas. Hoje, os homens de armas têm os famosos
Humvee's e os
APC's, mas, antigamente, meter os soldados a marchar por montanhas, desertos ou planícies geladas não se fazia sem perder alguém pelo caminho, e também isso é retratado aqui.
Por outro lado, a parte de "gestão" do jogo exige tempo, planeamento e decisões acertadas. Tomar uma cidade de assalto não é só sinónimo de acabar com a ameaça que ela apresentava, há que lidar com as repercussões - a população revolta-se, matam altas patentes do nosso exército, se for preciso, de forma a baixarmos os impostos. Aqui, a conhecida frase "pão e circo" aplica-se à risca: o que interessa é manter o povo entretido e satisfeito, através de uma rede de infra-estruturas básicas e de lazer. Se jogaram
Rome: Total War, lembrar-se-ão das arenas; já o povo francês do século XIX prefere salões burgueses ou teatros.
O jogo estará dividido em três
campaigns: a de Itália, a do Médio Oriente e a de França (que na verdade passa por grande parte da Europa). Embora o futuro de
Napoleão tenha chegado ao fim na famosa
Batalha de Waterloo, o jogador poderá alterar o curso da história, se conseguir derrotar as forças de
Wellington. Segundo a produtora do jogo, as "campanhas" vão fazer lembrar a da
Road to Independence, de
Empire: Total War, a qual contava com uma forte componente narrativa. Na versão que joguei ainda não estavam todas desbloqueadas, mas posso garantir que essa característica está garantida. Se gostam de história, vai ser interessante acompanhar a vida de
Napoleão e a sua ascensão ao poder.
Pelo que me foi possível testar,
Napoleon: Total War não vai desagradar aos fãs da saga e vai voltar a integrar as batalhas navais. Os gráficos foram melhorados, é certo, mas não é por aí que o jogo tem obrigação de se destacar. Por todas estas coisas (e pela vertente
multiplayer que ainda falta testar), posso dizer que as bases da série
Total War e o seu potencial estão presentes, resta saber como se aguentará o título na sua versão final.
O jogo está agendado para o fim deste mês. Contem com uma análise completa por volta dessa altura.