Desde que a Westwood foi assimilada pela Electronic Arts a série
Command & Conquer já teve direito a várias entregas sobre o desígnio da produtora americana. A tempo da quadra natalícia chega à Xbox 360 e ao PC uma nova entrega da saga designada como
Red Alert 3. Passámos os últimos dias a comprovar como se comportava a versão destinada aos computadores pessoais.
A estória de Command & Conquer: Red Alert 3 coloca-nos numa situação em que os líderes
russos viajam no tempo até ao longínquo ano de 1927 para matar Albert Einstein. Hipoteticamente, esta manobra de ficção científica mudará o curso da história, fazendo com que a União Soviética domine o mundo. Porém, como é habitual, nem tudo corre de acordo com o planeado, e o que esta viagem temporal despoleta é a emancipação do Empire of the Rising Sun face à tecnologia, levando agora a que a guerra pelo poder seja disputada a três: Soviéticos, Aliados e Rising Sun.
Todo este
fio narrativo é explicado através de cenas cinematográficas gravadas com alguns actores conhecidos da praça de Hollywood.
Gemma Atkinson,
Jenny McCarthy,
Peter Stormare, um dos prisioneiros das primeiras temporadas de Prison Break,
George Takei e
Tim Curry são os nomes mais sonantes do elenco. Todavia, aquilo que tinha tudo para serem cenas interessantes perde-se em
actuações demasiado forçadas e cenários que nunca chegam a iludir ninguém. Como diz o ditado, "mais vale cair em graça do que ser engraçado" e estes actores falham em ambas as frentes. O pior de toda esta conjugação reside nos
diálogos de má qualidade, levando-nos a querer chegar à acção jogada o mais depressa possível.
Ao jogador é dada a oportunidade de
jogar com qualquer uma das três facções em jogo (Soviéticos, Aliados e Empire) e, apesar de não serem muito distintas entre elas, são capazes de levar o jogador a querer completar o jogo pelo menos três vezes. Cada uma das facções tem as suas próprias personagens e imagens de marca. Por exemplo, caso estejam a jogar como a facção nipónica, verão ninjas empunhando sabres de luz ou viaturas aéreas que se metamorfoseiam em veículos terrestres. São estas pequenas características que vos irão querer experimentar o ponto de vista da outra facção.
Contudo, apesar destas nuances, as
missões não são muito diferentes entre facções e, pior que isso, entre elas. Basicamente, têm que desenvolver bases (cada uma delas com as suas características únicas, competindo ao jogador ser estratega de serviço), recolher matéria-prima, forma batalhões e partir para o combate. Nada que traga algo de novo ao género. As restantes missões passam quase sempre por defender um determinado posto ou ir resgatar companheiros que ficaram feitos prisioneiros. Sendo assim, a curiosidade mencionada no parágrafo anterior não demorará muito a esmorecer, dada a
falta de carisma que o jogo tem a solo.
Onde Red Alert 3 se revela
mais inovador é na componente multijogador. Poderão convidar um amigo para partilharem a experiência de serem estrategas digitais. Cada um desenvolve as suas bases, mas terão que coordenar tácticas com o intuito de completar as missões com sucesso. O saque monetário conquistado é dividido pelos dois, algo que traz justiça a este modo de jogo. Infelizmente, nem tudo funciona a 100%. Um dos erros crassos que a Electronic Arts cometeu com esta funcionalidade é não terem colocado salas de espera para futuras partidas. Ou seja, se quiserem jogar cooperativamente
têm que enviar convites a eventuais interessados. Se não tiverem amigos disponíveis, podem sempre jogar na companhia da Inteligência Artificial. Contudo, ficam desde já avisados que a diversão é praticamente inexistente. A
I.A. parece ter alguma dificuldade em pensar autonomamente ou sequer em acatar as ordens que lhe damos.
Quem não quiser jogar cooperativamente, tem sempre à disposição o modo de jogo
Skirmish. Com suporte até 20 jogadores em simultâneo, neste modo de já existem salas de espera e opções de
matchmaking. Somando tudo, têm duas dezenas de mapas nos quais podem guerrear.
Felizmente o grafismo do jogo propriamente dito tem
mais qualidade que as cenas cinematográficas que já vos demos conta. Com animações bem conseguidas, tanto em fluidez e variedade, nem mesmo com vagas de unidades a tomarem de assalto o ecrã o jogo se "engasga". A finalizar este capítulo, apenas dar-vos nota que, de uma maneira geral, as texturas aplicadas nos edifícios e terrenos de Red Alert 3 também estão bastante competentes, deixando-nos
imbuídos no espírito que o jogo quer deixar transparecer.
Frank Klepacki regressa com mais uma versão do famoso
Hell March, algo que provocará nos amantes da série um misto de
revivalismo e satisfação. A restante banda sonora condiz com aquilo em que nos vemos envolvidos. Não deixará ninguém a salivar pela saída da banda sonora em CD, porém, enquadra bem a situação seguinte e embala a presente, mantendo-se quase sempre no ritmo do jogo.
Quem gosta de Red Alert
não ficará decepcionado com esta terceira iteração da série. Sobretudo se perdoarem à produtora a parca diversidade de missões e tudo o que tem a ver com a narrativa, ou seja, o próprio argumento e a maneira como é apresentado aos jogadores. Também na vertente cooperativa o mesmo se aplica, ou seja, a mecânica funciona bem, caso perdoem à Electronic Arts a ausência de opções
matchmaking. Situações que esperámos ver rectificadas e expandidas num eventual Red Alert 4.
Como nota de rodapé fica a informação de que
Red Alert 3 é um dos títulos disponíveis para compra na
Digital Store do MyGames.