Uma vez, Henry David Thoreau, grande nome da literatura americana, disse: "Se um homem não segue o ritmo dos seus companheiros, talvez seja porque ouve uma batida diferente. Deixem-no caminhar na música que ouve, qualquer que seja o compasso ou a distância". E não há dúvida que a dupla de criadores de The Path movem-se ao som de uma batida muito própria.
Já todos ouvimos as chamadas "estórias da carochinha", fábulas centenárias que encerram uma grande componente moral, como Hansel e Gretel, Os Três Ursinhos ou O Capuchinho Vermelho, entre muitas outras. Narrativas simples e acessíveis, que à partida seriam demasiado "estreitas" e lineares para uma adaptação jogável. No entanto, Auriea Harvey e Michaël Samyn, directores do estúdio independente Tale of Tales, aceitaram o desafio e pretendem transformar O Capuchinho Vermelho num short horror game, com duas premissas marcantes. Em The Path existe apenas uma regra e que tem de ser quebrada, e apenas um objectivo, que ao ser atingido resulta na nossa morte.
Confusos? Nós também ficámos um pouco ao início, mas depois de uma conversa com estes dois artistas independentes… bem… continuamos confusos, mas declaradamente apaixonados por The Path.
No The Path existe apenas uma regra e tem de ser quebrada, e apenas um objectivo, que resulta na nossa morte. Não acreditam em finais felizes?
Tale of Tales: A morte de um avatar não é necessariamente um final infeliz. Todos nós morremos. Isso não faz de nós infelizes. É o que acontece entre o nascimento e a morte que marca a diferença. Talvez o jogador ajude o Capuchinho Vermelho a ter uma vida mais interessante. Talvez isso seja algo pelo qual valha a pena morrer.
Além disso, o The Path não é um documentário. É um poema acerca dos sentimentos e pensamentos do jogador. Os acontecimentos em si não têm grande peso.
O The Path está dividido em seis capítulos. Cada um deles oferece uma diferente perspectiva sobre a fábula do Capuchinho Vermelho. Qual é a finalidade desta segmentação?
TT: Em cada capítulo jogarão com um rapariga diferente, com idade e personalidade diferentes. Basicamente é a mesma narrativa enquadrada em contextos diferentes. Pensamos ser necessários jogar sobre estas seis perspectivas para que se possa compreender a mensagem na sua totalidade.
As seis personagens são estereótipos, arquétipos. O The Path revolve em torno de qualquer rapariga ou qualquer ser humano, não apenas estas raparigas em particular.