Comida para o cérebro. Esta é a forma fácil de classificar Professor Layton and the Curious Village, uma proposta algo diferente do habitual. Pode cair-se na tentação de comparar este título a um dos muitos Trainings que têm visto a luz do dia na DS, mas seria injusto fazê-lo. Se os serious games que sucederam a obra de Dr. Kawashima se focavam mais num qualquer tipo de "treino" mental, tratando a diversão como uma tarefa, Layton dá uma volta de 180º e regressa à essência de um jogo, com uma narrativa coesa e muita diversão à mistura.
A estória prende-se com a chegada do professor Layton e do seu ajudante Luke à vila de St. Mystere. Contratado para desvendar o segredo de um testamento, Layton cedo se vê envolvido numa trama bem engendrada, onde nem tudo é o que parece. Durante as cerca de 15 horas de jogo, darão de caras com imensas reviravoltas, o que ajuda a manter o interesse elevado.
A jogabilidade vai buscar muito às antigas aventuras gráficas, compostas por quadros estáticos. Em cada um poderão interagir com as personagens lá presentes, que invariavelmente acabam por vos oferecer um enigma para resolver. Estes são extremamente variados, indo buscar inspiração a problemas matemáticos ou de lógica. Com mais de 150 puzzles distintos, entre enigmas que fazem avançar a estória a problemas escondidos no cenário, a variedade está desde já assegurada. Os problemas apresentados fazem lembrar o jogo de tabuleiro Mind Trap, muitas vezes com soluções surpreendentes. A dificuldade vai subindo à medida que avançam, mas nunca chega a ser desesperante. Sem limites de tempo, o jogador pode raciocinar à vontade. Se mesmo assim não conseguir chegar lá, existem três ajudas para cada puzzle que indicam o caminho a seguir sem nunca oferecer a resposta de mão beijada. Estas ajudas podem ser "compradas" com Tip Coins, pequenas moedas escondidas pelo cenário de jogo. Para as encontrar, basta usar o stylus no local desejado.
Se os puzzles constituem o cerne da jogabilidade existem algumas tarefas paralelas que podem ser completadas. Encontrar todas as peças de uma engenhoca, os pedaços de uma pintura, ou mesmo decorar os quartos de Layton e Luke levam o seu tempo, mas acrescentam alguma profundidade à jogabilidade, servindo também como uma pausa bem vinda para o cérebro descansar. Completar cada uma destas tarefas desbloqueia uma série de extras. Estes compreendem um conjunto de puzzles extremamente difíceis, os Layton Challenges e ainda a possibilidade de descarregar puzzles adicionais de forma gratuita através da Internet.
O aspecto gráfico de Professor Layton and the Curious Village é um pau de dois bicos. Se na grande maioria dos puzzles não passa de funcional, os cenários de jogo, as personagens e mesmo as pequenas sequências full-motion video que separam os diversos capítulos estão muito bem conseguidas. O estilo é reminiscente do que víamos em anime do início da década de 90, com cenários europeus. A simplicidade não desvaloriza a beleza dos cenários pintados à mão. A música segue a mesma linha, mas é sem dúvida o ponto mais frágil do jogo. No entanto, não serão poucas as vezes em que desligarão o som para poderem pensar melhor.
É bom ver como um conceito tão simples e já tão batido, consegue triunfar através de uma perspectiva diferente. A combinação de elementos intemporais, a velha curiosidade humana e um esquema de controlo a toda a prova resultam num jogo original e capaz absorver qualquer um de forma absoluta. Não há muito mais a dizer acerca de Professor Layton and the Curious Village. A sua simplicidade extrema esconde problemas originais e divertidos, capazes de cativar qualquer um. Um número generoso de puzzles, uma estória interessante e um conjunto impressionante de extras tornam este num dos jogos mais curiosos a ver a luz do dia nos últimos tempos.

Puzzles excelentes

Possibilidade de descarregar mais conteúdo de forma gratuita

Simples e eficaz

Enorme durabilidade